Localizar diversos usuários de bluetooth com um celular é relativamente simples: você liga o telefone e faz uma busca por todos os aparelhos localizáveis. Mas isso permite apenas monitorar as pessoas que estejam ao alcance de seu aparelho de bluetooth, o que costuma acontecer um círculo 10 metros em torno de você. Caso você queira rastrear um endereço específico, terá de localizar visualmente o aparelho da pessoa e segui-la o dia inteiro, o que tornaria fácil para ela perceber que está sendo seguida.

Criar uma rede de vigilância por bluetooth resolve esse problema. Caso diversos receptores de bluetooth sejam posicionados estrategicamente para cobrir uma grande área, podem rastrear as posições de qualquer aparelho localizável, registrando e enviando os dados relevantes a um único endereço. Cada receptor de bluetooth age como um aparelho bluetooth comum: localiza qualquer aparelho ao seu alcance. Se uma pessoa estiver caminhando por uma rua de 100 metros de comprimento e os receptores tiverem alcance de 10 metros, cinco receptores, com raio de 20 metros, cobririam esse movimento. Enquanto a pessoa caminhasse, o primeiro receptor o acompanharia pelos primeiros 20 metros, o segundo pelos 20 metros seguintes e assim por diante.
E como esse sistema pode ser usado para rastrear pessoas? Um dos primeiros usos da tecnologia de posicionamento e rastreamento do bluetooth foi oferecido pelo zoológico de Aalborg, na Dinamarca. O motivo de instalar o sistema não era colocar sob vigilância os usuários do zoológico (em inglês) ou determinar que animais são mais visitados. Em vez disso, "Bluetags" especiais eram oferecidas para ajudar os pais a impedir a perda de seus filhos, que tendem a andar sem rumo por um zoológico. Um pai poderia afixar uma "bluetag" ao filho e os receptores de bluetooth instalados pelo zoológico acompanhariam o movimento da criança.
Há quem se preocupe com o uso ilegal ou prejudicial dessa tecnologia. Um shopping center, por exemplo, poderia instalar um sistema de vigilância por bluetooth a fim de monitorar os movimentos dos proprietários desse tipo de aparelho. Ainda que o sistema não permita registrar uma descrição precisa dos movimentos dessas pessoas, criaria um mapa geral de percursos e permitiria comparar quanto tempo uma pessoa permanece em uma determinada área, por exemplo. Dispondo desse conhecimento, os donos de lojas poderiam analisar o comportamento do consumidor e alterar o posicionamento de sua publicidade para compensá-lo, sem que o consumidor soubesse do fato.
É difícil para alguém usar o bluetooth de maneira a identificar uma pessoa específica, a menos que esta tenha decidido incorporar seu nome ou outras informações pessoais identificáveis à identificação de seu celular, celular inteligente ou organizador pessoal. Mas, se a pessoa está preocupada com a possibilidade de que alguém a rastreie pelo bluetooth, a melhor defesa é colocar o aparelho em modo não captável, quando ele não estiver em uso.
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