O videocassete

Em 1956, a primeira fita de vídeo comercial de carretel que podia ser gravada foi criada por Charles Ginsburg e Ray Dolby quando trabalhavam para a Ampex Corporation. Este novo dispositivo foi um importante desenvolvimento para as emissoras de televisão porque marcou a primeira vez que shows puderam ser gravados e exibidos posteriormente. Antes de 1956, todos os shows na televisão eram ao vivo.

 

A Sony criou o primeiro videocassete barato em 1969. Em 1976, o formato de fitas VHS apareceu e passou a dominar o mercado. As lojas de vídeo vieram a seguir.


 

O videocassete deve ler os sinais da fita e convertê-los em sinais que uma TV possa entender.

    Em gravação de som, a informação é armazenada linearmente na fita. Ou seja, a fita move-se passando pela cabeça de gravação e a informação é registrada como uma longa linha de acordo com o comprimento da fita. A fita deve se mover passando pela cabeça numa velocidade de 5 a 8 cm por segundo. Um sinal de vídeo contém talvez 500 vezes mais informação do que um sinal de som, de modo que a mesma técnica não pode ser usada. A fita deveria se mover passando pela cabeça a uma taxa de alguns metros por segundo.

     

    Para resolver esse problema, duas cabeças de gravação são montadas num tambor rotativo, que fica inclinado em relação à fita. Se você leu o artigo Como funciona a televisão, sabe que a imagem da televisão é dividida em uma série de 525 linhas de varredura horizontais, metade das quais é mostrada a cada 1/60 de segundo. Cada passagem da cabeça rotativa do videocassete lê ou grava os dados de um campo (262,5 linhas de varredura) da imagem da televisão . Dessa forma, os dados gravados em uma fita têm esta aparência:


     

    Nesta figura, as faixas azuis claras são campos individuais gravados pela cabeça de gravação do tambor da cabeça rotativa. Como o tambor possui duas cabeças em lados opostos (afastadas 180 graus), elas se alternam, cada uma lendo ou gravando uma ou outra faixa. As faixas amarelas representam as faixas de áudio e controle. A faixa de controle é especialmente importante:

    • ela avisa ao videocassete se a fita foi gravada em modo SP, LP ou EP;
    • ela avisa ao videocassete o quão rapidamente tracionar a fita pelo tambor (já que a fita pode esticar ou enrugar com o tempo);
    • ela alinha as cabeças com as bandas durante a exibição.

    Quando você mexe com o controle de "tracking" em seu videocassete, ajusta o desvio entre a faixa de controle e a posição real da cabeça na fita. Normalmente, isso não é necessário, mas se uma fita está gasta ou esticada você pode ter que ajustar o tracking.

      A relação entre a fita e a cabeça rotativa do tambor é mostrada nesta imagem:



       

      A cabeça gira a 1.800 rotações por minuto (rpm), ou 30 rotações por segundo. No modo SP, a fita passa pela cabeça a 3,33cm por segundo (33,35mm/s). No modo LP, é 0,66 polegada por segundo (16,7mm/s); no modo EP é 0,44 polegada por segundo (11,12mm/s). Entretanto, devido ao fato da cabeça ser rotativa, ela move-se sobre a fita a 5.804 mm por segundo, ou aproximadamente 41km/h! Isso significa que se as informações de vídeo estivessem sendo armazenadas linearmente, você precisaria de uma fita de 80km de comprimento para armazenar um filme de duas horas. Obviamente, a abordagem da cabeça de rotação, também conhecida como varredura helicoidal, economiza muita fita!

       

      O único problema que isso cria é que o projetista de um videocassete deve fazer com que a fita se enrole em volta da cabeça para gravar ou reproduzir a fita. Além disso, o dispositivo deve ler as faixas de áudio e controle da fita, manter a fita se movendo exatamente na velocidade correta e detectar o final da mesma. Para fazer tudo isso, a fita deve seguir um caminho tortuoso, como esse:


       

      Diferentes videocassetes usam diferentes abordagens, mas você "captou" a idéia. O mecanismo de tração do videocassete deve retirar um grande pedaço da fita para fora do estojo e enrolá-la em volta de diversos roletes, tambores e cabeças para reproduzir a fita. O impressionante é que o videocassete sempre funciona.