Fazendo tinta eletrônica

Duas empresas estão desenvolvendo tintas eletrônicas semelhantes ao mesmo tempo: a E Ink (em inglês), de Cambridge, no Estado de Massachussets, e a Xerox (em inglês), em Palo Alto, no Estado da Califórnia. À primeira vista, uma garrafa de tinta eletrônica parece tinta comum, mas se você olhar mais de perto vai ver algo muito diferente. Os produtos das duas empresas variam um pouco, mas os componentes básicos utilizados por ambas são os seguintes:
  • milhões de minúsculas microcápsulas ou orifícios;
  • uma tinta ou substância oleosa preenchendo essas microcápsulas ou orifícios;
  • chips ou bolas pigmentadas com carga negativa flutuando dentro da microcápsula.
A tinta eletrônica pode ser aplicada nos mesmos materiais que a tinta comum. No caso de um livro digital, as páginas seriam feitas de um tipo de plástico ultrafino. A tinta cobriria toda a página, separada por células como as de um papel quadriculado. Pense nessas células como pixels em sua tela de computador, com cada célula ligada a componentes eletrônicos minúsculos incrustados nessa folha plástica. Esses componentes eletrônicos seriam usados para aplicar uma carga positiva ou negativa às microcápsulas, criando o texto ou imagens desejadas.

A Xerox e a E Ink estão usando técnicas diferentes para desenvolver suas tintas eletrônicas. Para ajudar as pessoas a entenderem como a tecnologia da E Ink funciona, a empresa compara os milhões de microcápsulas dentro da tinta a bolas transparentes. Cada uma dessas bolas está cheia de minúsculas bolas de pingue-pongue brancas. Em vez de ar, a bola foi preenchida com tinta azul. Se você olhasse na parte de cima dessa bola de praia, veria as bolas de pingue-pongue flutuando no líquido, o que faria que ela parecesse branca. Mas se olhasse na base dessa bola, ela pareceria azul.

Agora imagine milhares dessas bolas transparentes em um campo, com as bolas de pingue-pongue internas se movendo para cima e para baixo: isso faria o campo mudar de cor. Esse é o princípio por trás do produto da E Ink.


Fotos cedidas por E Ink.
Aqui você vê como os chips de pigmento da E Ink reagiriam às cargas positiva e negativa.

Na verdade, essas microcápsulas têm apenas 100 mícrons de largura, e cerca de 100 mil delas podem ser colocadas em uma polegada quadrada (6,45 cm2) de papel. Em cada uma dessas microcápsulas há centenas de chips menores pigmentados. Nos protótipos, a E Ink atualmente trabalha com chips brancos e tinta azul, mas já está no processo para desenvolver tintas de outras cores, que levariam a telas coloridas.

Quando uma carga elétrica é aplicada às microcápsulas, os chips sobem à parte superior ou são empurrados para a parte inferior. Quando empurrados para cima, eles fazem com que as cápsulas pareçam brancas, e quando são empurrados para baixo, vemos tinta escura. E os padrões escuro e branco podem então ser criados para formar palavras e frases.

A Xerox está trabalhando em sua própria versão da tinta eletrônica, chamada papel eletrônico, que foi desenvolvida pela primeira vez nos anos 70. No entanto, em vez de usar chips com tinta flutuando em um líquido escuro, ela produziu bolas microscópicas que são pretas de um lado e brancas do outro. De forma semelhante à tecnologia da E Ink, essas bolas microscópicas respondem a descargas elétricas, que fazem a bola girar e produzir padrões de branco e preto em uma página. Para poder produzir as páginas dos livros digitais, a Xerox está desenvolvendo folhas de borracha nas quais essas bolas microscópicas estarão suspensas em líquido oleoso.

Um dos obstáculos para o desenvolvimento do livro digital de tinta eletrônica tem sido passar os fios nas páginas para criar uma carga elétrica e, ao mesmo tempo, manter a página fina como o papel. Nesse aspecto, a E Ink saiu na frente ao assinar um acordo com a Lucent Technologies (em inglês), que deu à E Ink o direito de usar os transistores de plástico criados pela Lucent. Esses pequeninos transistores podem ser impressos em uma página para fornecer a carga adequada necessária para mudar as cores dos chips da E Ink.