Second Life e o mundo real

Como dito anteriormente, algumas pessoas acreditam que o futuro da Internet são os mundos virtuais tridimensionais como o Second Life, nos quais os usuários poderão navegar por paisagens criativas em busca de informação e entretenimento. Como resultado, algumas organizações correram para se integrar ao Second Life na esperança de estarem presentes quando a popularidade da comunidade disparar. Centenas de empresas e organizações estão presentes online no Second Life. Muitas delas são proprietárias de ilhas e organizam eventos como entrevistas coletivas ou shows. Outras usam o Second Life para promover empreitadas de caridade ou filosofias políticas. Algumas empresas criam um espaço no Second Life com uma estratégia bem definida quanto ao seu uso, e usualmente essas estratégias não funcionam - ninguém deseja visitar um local que serve, basicamente, como um grande anúncio.

Outras empresas tentam evitar esse erro. A Coca-Cola, por exemplo, realizou uma competição na qual os residentes submetiam projetos para máquinas de venda automática de refrigerantes. O vencedor da competição será o astro de um vídeo sobre como projetar um objeto no Second Life. Ao criar conteúdo interativo, a Coca-Cola evitou os percalços de entrar no mundo do Second Life sem contribuir para o conteúdo do mundo virtual.

Second Life WWF
AFP/Getty Images
Organizações do mundo real como o World Wildlife Fund
têm propriedades virtuais no Second Life

Outras empresas empregam estratégias semelhantes. A Reebok permite que os usuários criem calçados esportivos personalizados para seus avatares, e depois encomendem uma cópia física desses modelos para uso real [fonte: New York Times]. A Starwood Hotels usou o Second Life para testar projetos de quartos e edifícios [fonte: Business Week]. A Volkswagen chegou a promover a venda de um dos modelos de seus carros no mundo virtual. E a IBM usa o Second Life como ferramenta de interação em reuniões remotas de seus funcionários. Algumas empresas chegaram até mesmo a usar o Second Life como sistema de recrutamento de pessoal, procurando residentes que tenham capacitações específicas na criação de conteúdo gerado por usuários [fonte: CNN Money].

Embora as empresas continuem a conduzir experiências com uma presença online no Second Life, alguns especialistas em segurança na Internet acautelam que o mundo virtual não representa o mais seguro ambiente no qual conduzir negócios. Eles apontam que os griefers podem encontrar maneiras de ouvir conversações confidenciais ou sabotar o local de uma empresa no Second Life. A maioria das companhias empregam o Second Life apenas como ferramenta de marketing, e não como local para reuniões virtuais. Algumas companhias estão criando ambientes virtuais próprios a fim de evitar os riscos de segurança do Second Life.

O Second Life e a política

Second Life Swedish Embassy
Sven Nackstrand/AFP/Getty Images
Carl Bildt, ministro do Exterior da Suécia, inaugura a primeira embaixada no Second Life

Suécia e Estônia ambas têm embaixadas virtuais no Second Life. As embaixadas fornecem aos residentes informações sobre esses países, incluindo sobre como solicitar vistos.

Até mesmo John Edwards, pré-candidato democrata às eleições presidenciais norte-americanas, organizou um site de campanha no Second Life. A sede de sua campanha virtual conquistou manchetes depois que um grupo de griefers a pichou com obscenidades e desenhos surreais.

Para as mais recentes notícias sobre a política virtual, a CNN tem planos de abrir uma rede noticiosa no Second Life, chamada I-report hub. Os residentes poderão submeter reportagens sobre o mundo virtual, e a CNN usará streams de vídeo e áudio para transmitir reportagens selecionadas dentro do Second Life [fonte: CNN].

Até mesmo algumas universidades estão presentes no Second Life, realizando aulas e conduzindo estudos de psicologia e sociologia humana no mundo virtual. Em 2006, a Universidade Harvard conduziu um curso chamado CyberOne: Lei no Tribunal da Opinião Pública, de participação aberta ao público do Second Life em geral. Os residentes podiam assistir às aulas e participar das discussões [fonte: Harvard]. Outras universidades experimentaram conduzir aulas no mundo virtual, com graus variáveis de sucesso.

Alguns artistas realizaram ações bem-sucedidas no Second Life. Caso da banda irlandesa U2 e do cantor e compositor brasileiro Gilberto Gil. Em outubro de 2007, Gil resolveu fazer um passeio na Ilha do Anhangabaú, na Mainland Brasil, e conversar com fãs e com o público local. Vestido com um quimono e um cahpéu chineses, o cantor ainda deu uma pequena mostra do seu show Banda Larga, que percorreu a Europa naquele ano. Para Gil, "o Second Life e outras ferramentas manipuláveis da internet oferecem novos espaços, novas possibilidades de afetividade, de informação e de conhecimento. A reconectabilidade é um dos mais importantes elementos desse novo mundo eletrônico" [Fonte: dotSUB.com].

Gilberto Gil faz show e conversa com fãs no Second Life
Mainland Brasil
Vestido como chinês, o cantor Gilberto Gil faz
show e conversa ­com fãs no Second Life Brasil

  O Second Life pode parecer estranho e exótico para aqueles de nós acostumados apenas ao mundo real, mas, para os seus residentes, representa uma importante comunidade que tem validade igual à de qualquer ambiente físico. Ainda assim, determinar se o Second Life marca o futuro da Internet ou representará apenas uma moda passageira não será possível por enquanto.

Na próxima página, você encontra um pequeno guia para novos residentes do Second Life Brasil.