O mecanismo interno do relógio de 10 mil anos

Imagine que o ano seja 09456. Você está entrando em uma caverna no sopé das colinas do Great Basin National Park, em Nevada (presumindo que Nevada ainda exista). Lá você encontra o relógio de 10 mil anos. Você contempla essa escultura tecnológica de 18,3 metros de altura e coça a cabeça, intrigado: que diabos será aquilo?

O relógio certamente atrai a atenção. Os mostradores desafiam o observador a contemplar mais que sua posição na Terra, e um rápido olhar para a porção inferior logo revela o coração do sistema.

O mecanismo básico do relógio de 10 mil anos é um conjunto intrincado de peças móveis que trabalham unidas para não só acompanhar a medição de tempo do relógio como controlar seu acervo musical. Devido ao algoritmo único que controla os carrilhões, o relógio jamais repete a música que toca ao bater as horas. Além disso, porque o relógio é um sistema mecânico binário, precisa de uma forma eficiente de regular seu movimento preciso. É a isso que o mecanismo Genebra serve.

Transmissões Genebra são sistemas que tomam movimento rotativo regular e o convertem em movimento irregular. Para tanto, a transmissão Genebra usa um disco perfurado conectado a um eixo de saída acionado por uma roda dentada. Um pino na roda dentada se insere no sulco e move a roda pela distância prescrita, medida em graus. Os dois tipos de discos ou rodas Genebra são o interno e o externo. As rodas internas têm o pino de propulsão do lado de dentro, enquanto as rodas externas se assemelham a estrelas com porções removidas de forma a permitir que o came gire livremente até que o pino conclua seus 360 graus de rotação.
 
Os carrilhões utilizam uma série de rodas Genebra e mecanismos excêntricos controlados por adicionadores binários. Esses adicionadores binários realizam cálculos, em seguida convertidos pelo complexo sistema de cames e pinos.

Embora o mecanismo pareça complexo, a ciência que o embasa é bastante simples. Porque o relógio é mecânico e não depende de eletrônica ou fontes externas de energia, a esperança é de que aqueles que o encontrem no futuro o vejam funcionando como pretendido.

O protótipo do relógio, custeado pela Long Now Foundation, que arrecada dinheiro por meio de doações e eventos, está instalado no Museu da Ciência de Londres, e começou a funcionar em 31 de dezembro de 1999, imediatamente antes da virada do milênio [fonte: Lemley - em inglês]. E embora o mundo não tenha deixado de funcionar à 0h de 1° de janeiro de 2000, foi naquele instante que viu pela primeira vez o relógio de 10 mil anos. Assim, o que pode acontecer nos próximos 10 mil anos? Na página seguinte, consideraremos essa questão.