No início da década de 90, a exposição do público à realidade virtual raramente ia além de uma demonstração relativamente primitiva de algumas imagens em bloco sendo gravadas ao redor de um tabuleiro de xadrez por um pterodáctilo bruto. Embora a indústria de entretenimento ainda esteja interessada nos aplicativos da realidade virtual em jogos e cinema, os usos realmente interessantes dos sistemas de RV estão em outros campos.
Alguns arquitetos criam modelos virtuais de seus projetos de construção, para que as pessoas possam andar pela estrutura antes mesmo de ser feita a fundação. Os clientes podem circular pelo interior e exterior, além de fazer perguntas, ou mesmo sugerir alterações ao projeto. Os modelos virtuais podem lhe dar uma idéia muito mais precisa de como é se sentir andando pela construção do que o modelo em miniatura.
As empresas de carro usaram a tecnologia da RV para construir protótipos virtuais de novos veículos, testando-os por completo antes de produzir uma única peça. Os projetistas podem fazer alterações sem ter que descartar o modelo inteiro, como geralmente fariam com modelos físicos. Como conseqüência, o processo de desenvolvimento torna-se mais eficiente e barato.
![]() Foto cedida por Atticus Graybill da Virtually Better, Inc. Usando a terapia virtual para tratar um paciente que tem medo de voar |
Na medicina, a equipe pode usar ambientes virtuais para fazer qualquer tipo de treinamento, de procedimentos cirúrgicos a diagnósticos de pacientes. Cirurgiões têm usado a tecnologia da realidade virtual não apenas para treinar e ensinar, mas também para realizar cirurgias remotamente com o uso de dispositivos robóticos. A primeira cirurgia robótica foi realizada em 1998 em um hospital em Paris. O maior desafio ao usar a tecnologia da RV para fazer uma cirurgia robótica é a latência, já que qualquer atraso em um procedimento delicado pode parecer anormal para o cirurgião. Tais sistemas também precisam fornecer ao cirurgião retorno sensorial bem regulado.
Outra aplicação médica da tecnologia da RV é a terapia psicológica. A dra. Barbara Rothbaum, da Emory University, e o dr. Larry Hodges, da Georgia Tech University, foram os precursores do uso de ambientes virtuais no tratamento de pessoas com fobias e outras condições psicológicas. Eles utilizam ambientes virtuais como uma forma de terapia de exposição, em que o paciente é exposto - sob condições controladas - a estímulos que o afligem. A aplicação possui duas grandes vantagens sobre a terapia de exposição real: é muito mais prático e os pacientes estão mais dispostos a experimentar a terapia, pois sabem que aquele não é o mundo real. Sua pesquisa levou à criação da empresa Virtually Better, que comercializa sistemas de terapia de RV para médicos em 14 países.
Os simuladores de vôo são um bom exemplo de um sistema AV eficaz dentro de limites rigorosos. Em um bom simulador de vôo, o usuário pode fazer o mesmo caminho da aeronave sob uma grande variedade de condições. Os usuários podem saber como é voar em meio a tempestades, fortes neblinas e ventos calmos. Simuladores de vôo realistas são ferramentas de treinamento eficazes e seguras, e embora um simulador sofisticado possa custar dezenas de milhares de dólares, são mais baratos do que uma aeronave de verdade (além de ser difícil estragar em caso de acidente). A limitação dos simuladores de vôo, a partir de uma perspectiva de RV, é que foram criados para uma tarefa específica. Você não pode sair de um simulador de vôo e continuar dentro do ambiente virtual, muito menos fazer outra coisa que não seja pilotar uma aeronave enquanto estiver dentro. |
Na próxima seção, veremos algumas preocupações e desafios da tecnologia da realidade virtual.