Controvérsia com a Apple


Paranoia pode fazer bem

A Apple tem motivos para ser cética quanto a concorrentes que roubam suas ideias. No começo dos anos 80, a Microsoft, de Bill Gates, trabalhou em estreito contato com a Apple no desenvolvimento de software para o novo sistema operacional Macintosh. Dois anos antes, a empresa de Gates havia começado a desenvolver o que se tornaria a primeira versão do Windows. A Apple permitiu que a Microsoft visse o código para desenvolver o Word e o MultiPlan (o precursor do Excel). Gates então instou o presidente-executivo da Apple, John Sculley, a terceirizar e licenciar o sistema operacional, mas a Apple recusou. Depois de uma queda nas vendas do Macintosh, em 1985, a Microsoft levou adiante o projeto do Windows. Sculley e os executivos da Apple ficaram tão irritados com as semelhanças entre o Mac OS e o Windows que ameaçaram processar a Microsoft. Em lugar disso, as empresas chegaram a um acordo para evitar esse problema. Quando Gates usou elementos semelhantes no Windows 2.0, a Apple abriu um processo, em 1988, alegando que o Windows usava diversas interfaces visuais claramente derivadas do Macintosh. A decisão final, favorável à Microsoft, só veio em 1993. Em 1997, a Microsoft investiu mais de US$ 100 milhões na Apple, o que trouxe o degelo depois de uma década de desentendimentos.

Um dos recursos básicos do Palm, um atributo que tornou o aparelho ainda mais atraente para alguns usuários, era sua capacidade de sincronização com o iTunes.

Não demorou para que a Apple atualizasse o iTunes de maneira a tornar o recurso inútil. A Apple, empresa conhecida por ser altamente fechada, demorou menos de um mês para realizar a atualização, acompanhada pelo seguinte comunicado:“A Apple projeta hardware e software de forma a prover integração transparente entre o iPhone e iPod e a iTunes, a iTunes Store e as dezenas de milhares de aplicativos disponíveis na App Store. A Apple está ciente de que terceiros vêm alegando que seus players digitais de mídia podem se sincronizar com o software Apple. No entanto, a Apple não apoia ou testa a compatibilidade de players digitais de mídia fabricados por outras empresas e, porque o software muda com o tempo, versões novas do software Apple iTunes podem não mais oferecer sincronização com aparelhos não-Apple [fonte: Apple - em inglês]."

A próxima jogada coube à Palm, com o lançamento do webOS 1.1, em julho de 2009. Dessa vez, o webOS enganava o software iTunes ao fazer o Pre se passar por iPod clássico, permitindo sincronização [fonte: Arya - em inglês]. Mas a história não acabou assim.

Em setembro de 2009, a Apple lançou o iTunes 9. Uma vez mais, a porta traseira aberta pela Palm foi fechada. Qual foi a reação da Palm? Vocês adivinharam: a empresa lançou o webOS 1.2 e voltou a habilitar a sincronização. A Apple ainda não reagiu.

As duas empresas deixaram suas posições claras. No campo da Apple, há o argumento da propriedade intelectual, ou seja, o uso não autorizado do iTunes. Do outro lado, a Palm diz, em resumo, que se as pessoas pagaram pelo conteúdo, devem ter direito de usá-lo em qualquer que seja a plataforma. Os proprietários do Palm também podem optar por não atualizar o software para a versão iTunes 9. Os usuários do iTunes 8.2.1 ainda podem sincronizar os Pres equipados com o webOS 1.1.

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