Criando nanofios

A deposição química de vapor (CVD) é um exemplo de abordagem de baixo para cima. Em geral, a CVD se refere a um grupo de processos em que sólidos são formados a partir da fase gasosa. Os cientistas depositam catalisadores (como nanopartículas de ouro) em uma base, chamada substrato. Os catalisadores agem como um ponto de atração para a formação do nanofio. Os cientistas colocam o substrato em uma câmara com um gás que contenha o elemento apropriado, como o silício, e os átomos do gás fazem todo o trabalho. Primeiro, os átomos do gás se ligam aos átomos dos catalisadores, e outros átomos de gás se ligam a eles, e assim por diante, criando uma corrente ou um fio. Em outras palavras, os nanofios se montam sozinhos.

Nanofios criados pela Natureza
Até pouco tempo atrás, os cientistas acreditavam que todos os nanofios fossem criados pelo homem, mas alguns anos atrás biólogos descobriram que as bactérias podem produzir seus próprios nanofios. Uma bactéria chamada Geobacter sulfurreducens deposita elétrons em átomos de metal (os elétrons são um subproduto do consumo de combustível da bactéria). Se há falta de metal no ambiente da bactéria, ela cria um apêndice de nanofio para conduzir elétrons até o metal mais próximo, permitindo que a bactéria consuma mais combustível. Cientistas querem criar células de combustível orgânicas usando bactérias como a Geobacter sulfurreducens para produzir eletricidade.

Uma nova maneira de criar nanofios é moldá-los diretamente no substrato apropriado. Uma equipe de pesquisadores de Zurique (em inglês) foi a pioneira neste método. Primeiro, esculpiram uma placa de silício de maneira que as partes que ficaram para cima da placa coincidissem com a forma como os nanofios deviam ser organizados. Usaram então a placa como um carimbo, pressionando-a contra uma borracha sintética chamada PDMS. Esparramaram um líquido repleto de nanopartículas de ouro, chamado suspensão colóide, sobre a PDMS. As partículas de ouro se acomodaram nos canais criados pelo carimbo de placa de silício. A PDMS tornou-se, então, um molde capaz de transferir uma "impressão" de nanofios de ouro para outra superfície. Moldes de PDMS podem ser usados repetidas vezes, e podem ter um papel fundamental na produção em massa de circuitos de nanofios no futuro [fonte: Nature Nanotechnology].

Vários laboratórios criaram transístores usando nanofios, mas sua criação requer muito tempo e mão-de-obra. Transístores de nanofios têm desempenho igual ou superior ao dos transístores atuais. Se os cientistas conseguirem descobrir uma maneira de produzir e conectar transístores de nanofios uns aos outros de maneira eficiente, abrirão caminho para microprocessadores, menores e mais rápidos, fazendo com que a indústria da informática acompanhe a Lei de Moore. Os chips de computadores vão continuar a perder tamanho e ganhar capacidade.

A pesquisa sobre a produção de nanofios continua pelo mundo afora. Muitos cientistas acreditam que é apenas uma questão de tempo até alguém descobrir uma maneira viável de produzir nanofios e transístores de nanofios em massa. Com sorte, quando chegarmos a este ponto, também seremos capazes de arranjar os nanofios da maneira que quisermos para que possamos usá-los em seu potencial máximo.

No próximo capítulo, falaremos sobre as possíveis aplicações da tecnologia dos nanofios.

Tubos de DNA
Pesquisadores da Universidade Duke estão usando DNA (em inglês) sintético para produzir nanofios de prata. Os pesquisadores fizeram blocos a partir de moléculas de DNA. As moléculas então se organizaram em estruturas tubulares. Uma reação química de dois passos depois e os tubos se tornaram nanofios. No futuro, o DNA pode ajudar os cientistas a construir transistores em escala nano guiando os nanofios até a localização correta no chip.