A maior parte da controvérsia em torno do FairPlay é sobre a recusa da Apple em licenciá-lo, não sobre a limitação que isso impõe - como o esquema DRM, o FairPlay não é totalmente restritivo. mas já que a Apple não licencia o FairPlay para ninguém, você só pode tocar um arquivo protegido usando o software iTunes e só pode levá-lo consigo num iPod ou num telefone iTunes. Mantendo o FairPlay interno, a Apple efetivamente criou um laço de dependência ente o iTunes e o iPod que alguns vão tão longe que chamam de monopólio no entretenimento digital. Em janeiro de 2005, uma pessoa classificada como ação de classe num processo judicial contra a Apple para este efeito, declarando que a empresa estava violando leis federais antitruste.
O outro problema com o FairPlay é que ele cria um impedimento para Linux. Já que as músicas protegidas só tocarão em iTunes, e esse só é compatível com Mac OS X e Windows 2000/XP, as pessoas que usam sistema operacional Linux não podem comprar conteúdo na iTunes Music Store (na verdade, podem comprá-lo, só não poderão reproduzi-lo). Isso tem levado a uma batalha entre hackers de Linux e a Apple. O exemplo mais famoso desta batalha é o vai e vem entre o time de hackers liderado por "DVD Jon" Johansen (que quebrou o código DeCSS dos DVDs protegidos em 2002) e programadores da Apple. Em janeiro de 2004, Johansen publicou uma parte do código que desabilita o esquema DRM da Apple no final do usuário, permitindo às pessoas tocar arquivos protegidos FairPlay em máquinas Linux. Em março de 2005, Johansen lançou uma parte do software que desabilita o FairPlay no final Apple, criando uma pequena falha no processo de download que impedia que a codificação fosse aplicada ao arquivo. Alguns dias mais tarde, a Apple lançou uma nova versão do software iTunes que desabilitou este pequeno defeito. Um dia depois, Johansen lançou outra parte do código que recriava o pequeno defeito. E assim vai nesta mesma disposição.
Mas não são apenas os usuários Linux que se sentem empurrados. Há alguns legalistas da Apple que, ainda que não totalmente preocupados sobre o laço de dependência iTunes/FairPlay, sentem-se ofendidos pelo fato que a Apple está tentando restringir o uso dos próprios arquivos legalmente comprados. Há uma sensação que a empresa traiu seus clientes para intermediar acordos com a indústria do entretenimento. E não é inteiramente errada - os negócios na área de tecnologia não são mais como costumavam ser.
Gerenciamento de direitos digitais
Os negócios da mídia digital ficaram bem mais complicados na última década. Quando as redes P2P abriram uma lacuna na indústria do entretenimento com sua habilidade de controlar a distribuição de seu conteúdo, uma guerra começou entre detentores de direitos autorais e consumidores. A manifestação atual desta guerra é o DRM e o acesso ao DRM. O FairPlay é apenas um exemplo de DRM - muitas empresas lidando com conteúdos digitais licenciados têm adotado esquemas DRM que limitam o que um consumidor pode fazer com arquivos legalmente comprados. Para saber mais, acesse Como funciona o gerenciamento de direitos autorais digitais.
O fato é que trabalhar na indústria de entretenimento para licenciar conteúdos não é um processo simples. Quando a Apple fecha um negócio para vender conteúdo licenciado, todo mundo quer uma parte. Assim que o iTunes começou a oferecer programas de TV, a Apple tinha fechado contratos com redes de TV que possuem estes programas, as cinco uniões da indústria do entretenimento decidiram que elas queriam uma parte, também. Então, desta cobrança de US$ 1,99 por programa, a Apple está pagando royalties para muita gente. Subtraia deste custo de construção e manutenção da infra-estrutura da tecnologia iTunes, pagamento tarifas de cartões de crédito e serviços de propaganda e parece que a iTunes Music Store da Apple é mais que um veículo de marketing que uma grande receita geradora de US$ 8 bilhões para a empresa. Em resumo: a iTunes Music Store ajuda a vender iPods. Em 2006, estimou-se que há em uso, no mundo, algo em torno de 10 a 14 milhões de iPods, cada um vendido por US$ 100 a US$ 400 por unidade. Esta receita é uma empresa de US$ 8 bilhões.
O incrível pico de tráfego do iTunes em 2005 apenas prometeu maior sucesso para a marca iTunes/iPod. A Nielsen NetRatings relatou que 20,7 milhões de pessoas visitaram a iTunes Music Store naquele ano, um percentual de 241 de crescimento em comparação a 2004. E se eles estão comprando no iTunes, podem acabar adquirindo um iPod para que possam levar suas músicas com uma rápida auto-sincronia.
Além de bons números nas vendas, o futuro do iTunes deve certamente incluir batalhas crescentes com os hackers. Podemos imaginar se a Apple lançará a versão do iTunes para Linux, só para eliminar a reclamação legitima que o pessoal do Linux não usa a iTunes Store. Claro, as pessoas ainda removerão a proteção DRM, mas elas não terão tantos ouvidos complacentes para tal missão.
No domínio do suporte expandido, o número crescente e lento de produtos de terceiros licenciados pela Apple, como os telefones iTunes da Motorola e reprodutores independentes iTunes da Roku, aponta para a possibilidade do aumento na colaboração entre a Apple e outras fábricas de eletrônicos. Essas novidades são boas para pessoas que gostam de pegar e escolher partes de sua "experiência de mídia digital".
Um lançamento previsto para 2007 é a Apple ITV, um dispositivo sem fio para reproduzir os filmes iTunes e shows de TV diretamente numa televisão sem intermediador. A Apple também está expandindo seu conteúdo em direções inesperadas como iTunesU - um serviço grátis para universidades postarem palestras e outros conteúdos para seus estudantes fazerem download pelo software iTunes. As universidades começarão a fornecer um iPod a todos os calouros para que eles possam ouvir palestras enquanto andam pelo campus? O próximo passo lógico deve ser oferecer um serviço similar para negócios - eles poderiam usar o iTunes para fornecer reuniões gravadas ou palestras de treinamento a funcionários remotos e viajantes freqüentes. O futuro pode ver o iTunes como software padrão em computadores de escritórios (e pequenos alto-falantes iPod embutidos nas lapelas dos paletós).
Para mais informações sobre o iTunes, confira os links na próxima página.