Distribuindo o jogo

Uma grande diferença entre criar videogames para console e para PC, está no processo de aprovação e distribuição. Os fabricantes do console geralmente exigem acordos de licença estritos com empresas que desejam desenvolver jogos para seus sistemas. Vamos analisar, em linhas gerais, o processo que a 3DO executa com os fabricantes de console com os quais trabalha.

Toda empresa que desenvolve jogos para um fabricante de sistemas de videogame é considerada como licenciada terceirizada. É assim que acontece:

  • a 3DO
    • desenvolve a idéia do jogo
    • cria o jogo
    • testa o jogo
    • lança o jogo
    • distribui o jogo
  • o fabricante do console
    • aprova a idéia do jogo
    • testa o jogo
    • revisa e aprova o jogo
    • fabrica o jogo
Quando a 3DO apresenta o jogo ao fabricante do console, os processos de teste e de exame podem ser muito rigorosos. O jogo pode ser enviado de volta à 3DO com pedidos de alteração de certas partes antes de ser reapresentado.

Quando o jogo é aprovado, a 3DO faz um pedido inicial ao fabricante do console que deve ser pago adiantado. O fabricante do console envia um original do jogo para uma de suas fábricas. A primeira edição de um jogo da 3DO tem entre 150 mil e 300 mil unidades. Normalmente, se passam poucas semanas entre o pedido e a entrega dos jogos no depósito do centro de distribuição da 3DO em Atlanta, na Georgia.

Os jogos vêm embalados em paletas de 500 a 2.000 unidades. Um caminhão pequeno pode transportar cerca de 40 paletas com 2.000 jogos cada (cerca de 80 mil). Isso significa que são necessários quatro caminhões para entregar 320 mil cópias de um único título!

Durante esse processo, a 3DO aceita pedidos de revendedores. Os revendedores enviam seus próprios caminhões ao depósito da 3DO em Atlanta para levar suas cópias do jogo. Muitas vezes, estes são retirados diretamente dos caminhões que os trazem do fabricante, separados, reembalados e colocados de volta nos caminhões para os revendedores!

Varejistas especializados, como a Babbages e a Electronics Boutique, tentam levar os jogos do centro de distribuição para as prateleiras de suas lojas o mais rápido possível. Grandes varejistas como o Wal-Mart, Kmart e Target, não têm tanta pressa e, geralmente, levam os jogos para suas lojas junto com outros itens.

Muitas pessoas presumem, errôneamente, que para a matriz o custo por jogo é mínimo e o lucro, enorme. Isso é raramente verdade. Enquanto os custos materiais reais para a duplicação do CD, da embalagem e dos manuais podem ser baixos por unidade, existem muitos outros custos:

  • os royalties de licenciamento do console (entre US$ 3 e US$ 10 por unidade, para o fabricante do console);
  • os custos de desenvolvimento do jogo, geralmente de muitos milhões de dólares;
  • publicidade (na maioria dos jogos, algo entre US$ 1 milhão e US$ 4 milhões);
  • os salários da equipe de produção (um jogo normal pode empregar 40 pessoas por um ano ou mais);
  • outras licenças (principalmente em títulos de esportes, em que a organização do esporte profissional e qualquer atleta tende a receber royalties para cada unidade vendida);
  • os custos operacionais (os custos de gerenciamento da empresa devem ser divididos entre os vários jogos vendidos).

As empresas de jogos também precisam levar em conta a curta vida útil da maioria dos seus produtos. Já que a tecnologia que alimenta os videogames está em constante aprimoramento, os jogos que hoje quebram barreiras, vão parecer lentos e grosseiros em um ou dois anos. É espantoso que empresas como a 3DO continuem a nos oferecer essa diversão tão incrível, ano após ano!

No Brasil
Nos Estados Unidos, lojas especializadas em games, como a Babbages e a Electronics Boutique, tentam levar os jogos do centro de distribuição para as prateleiras de suas lojas o mais rápido possível. Grandes varejistas norte-americanos, como Wal-Mart, Kmart e Target, não têm tanta pressa e, geralmente, levam os jogos para suas lojas junto com outros itens.

O processo é diferente no mercado brasileiro. Empresas especializadas se ocupam em importar os jogos feitos para consoles como o PlayStation2 e o XBox. Essas empresas dão preferência aos títulos mais procurados e depois distribuem às lojas de games do país. Algumas lojas especializadas também importam diretamente os jogos.

No caso dos games para computadores, empresas como Electronic Arts e Atari, por exemplo, mantêm escritórios no país. As filiais têm o trabalho de traduzir os manuais e as caixas dos jogo. Além disso, essas empresas trazem uma matriz do game, que é enviada para fábricas especializadas em produzir CDs e/ou DVDs em grande quantidade. Assim que os jogos estão prontos, eles são embalados junto com os manuais e a caixa e são despachados para lojas de todo o Brasil.