Gráficos de cena virtual de crime

As primeiras cenas virtuais de crime foram criadas em modelos de computador. Os investigadores tiravam medidas exatas da cena do crime, incluindo as dimensões da própria cena e a relação entre todos os objetos dentro da cena. Por exemplo, em uma cena de assassinato dentro de uma casa, um investigador media as dimensões do cômodo, a posição do corpo e a localização de quaisquer outras informações relacionadas, como armas ou sangue. Geralmente, os investigadores usavam laser distance meters (dispositivos portáteis para medições precisas) ou uma estação total (uma ferramenta de vigilância) para garantir a precisão das medições. Os fotógrafos de crimes tiravam fotos da cena a partir de vários ângulos. Após a investigação inicial da cena do crime, o investigador retornava ao departamento de polícia.

Many VR rendering programs start with a two-dimensional set of blueprints or sketches like this one.
Muitos programas de renderização VR iniciam com um conjunto
bidimensional de cópias heliográficas ou esboços como esse

Na estação, um operador de computador obtém as medições levantadas pelos investigadores e as insere em um programa de computador. O programa então renderiza um espaço tridimensional usando essas informações.

Alguns programas requerem a intervenção humana para a precisão dos espaços: uma abordagem particular requeria que um programador ajustasse a altura de um cômodo manualmente. O programador usava um programa CAD (Computer Assisted Design) para ajustar o modelo do computador, criar a mobília e inserir a figura de um corpo. Alguns programas iniciais também incluíam uma biblioteca de objetos comuns, como armários ou mesas, para agilizar o processo e, assim, barateá-lo.

Tempo e dinheiro eram os dois grandes obstáculos para transformar as cenas virtuais de crimes em uma ferramenta útil. Os primeiros programas precisavam de um programador ou designer gráfico altamente qualificado para tornar os ambientes convincentes o bastante para serem úteis e imersivos: em outras palavras, eles não passavam aos observadores a sensação de presença dentro da cena virtual. As forças policiais precisavam de um software que tivesse uma curva de aprendizado menor e que automatizasse o processo o máximo possível.

Atualmente, várias empresas de software oferecem produtos que automaticamente constroem cômodos baseados tanto em medições quanto em um plano de cômodo bidimensional. A maioria dos programas também inclui extensas bibliotecas de objetos e texturas (gráfico de sobreposição), que permitem ao usuário customizar o ambiente virtual e torná-lo a representação mais precisa da cena do crime real quanto possível. A maioria desses programas pode até incluir o percurso de uma bala (como anteriormente determinado pelos investigadores que usam técnicas forenses padrão).

Séries de TV como “Bones” geralmente exageram o que os sistemas VR podem fazer
Foto cedida Amazon.com
Séries de TV como “Bones” geralmente
exageram o que os sistemas VR podem fazer

A vantagem do ambiente virtual aperfeiçoado é que, uma vez que ele é renderizado, os usuários podem visualizar a cena de qualquer ângulo, incluindo a partir dos pontos vantajosos difíceis de acessar no mundo real. Ao visualizar a cena de diferentes perspectivas, os investigadores têm mais informações que podem ajudá-los a determinar precisamente o curso dos eventos em uma cena de crime. Alguns programas também permitem ao usuário adicionar animações, o que proporciona aos investigadores a visualização de suas teorias em ação.

Se o programa suporta saída de vídeo como um monitor preso à cabeça, o usuário pode experimentar uma forte sensação de imersão, o que pode ajudar as testemunhas a se lembrarem de mais detalhes ou permitir aos investigadores conferir linhas de visão.

Os ambientes modernos renderizados, porém, virtualmente têm desvantagens. A maior desvantagem é a necessidade de um funcionário que tenha preparo técnico suficiente para trabalhar com o programa: mesmo com programas que constroem ambientes automaticamente, geralmente um usuário precisa fazer ajustes. Outra desvantagem é que os ambientes virtuais raramente caracterizam cópias perfeitas da cena real do crime. Como resultado, os investigadores ou testemunhas podem ter suas atenções desviadas pela simulação imperfeita e perder detalhes importantes.

Na próxima seção, veremos um método diferente de construção de cena de crime virtual.

Nada de ossos
A versão de Hollywood da investigação da cena do crime é um exagero e uma simplificação da realidade. Programas como "CSI" e "Bones" às vezes mostram investigadores olhando para hologramas tridimensionais incríveis de corpos e construções, girando-os no espaço real sem qualquer dispositivo de entrada reconhecível. Na realidade, a polícia tem muito mais chances de usar um simples laptop e um mouse para explorar uma cena virtual.