Os robôs não podem ter oportunidades?

O escritor de ficção científica Isaac Asimov criou as três leis da robótica no conto "Runaround". Mas elas foram elaboradas principalmente para proteger os seres humanos dos robôs. Os robôs também têm direitos?

As Três Leis da Robótica de Asimov

1. Robôs não podem machucar seres humanos, ou por omissão, permitir que um ser humano se machuque.

2. Robôs devem obedecer ordens dadas por seres humanos, exceto quando tais ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.

3. Robôs devem proteger sua própria existência desde que tal proteção não contrarie nem a Primeira, nem a Segunda Lei.

Mas o que acontece se houver mais robôs que homens na sociedade? Como as pessoas irão tratá-los? Os homens continuarão sendo superiores à sua criação? Vão recusar a idéia de robôs tomando o lugar de um dos parceiros em um relacionamento romântico? Muitos especialistas em robótica acreditam que agora é a hora de começar a pensar nas questões morais e éticas levantadas pelo desenvolvimento de robôs pela humanidade. A Coréia do Sul, no final das contas, planeja ter um robô em cada casa em 2020. Bem diferente do "um frango em cada panela" da campanha de Herbert Hoover para a presidência dos Estados Unidos em 1928.

É bom, então, que a Coréia do Sul esteja na dianteira da discussão sobre ética e robótica. Na verdade, o país anunciou em março de 2007 que montou um painel para desenvolver a Carta da Ética na Robótica, um conjunto de diretrizes para a futura programação robótica. Ela abordará os aspectos humanos da interação homem-robô - como proteção contra o vício do sexo com robôs -, bem como explorará formas de proteger homens e robôs contra abusos cometidos por um ou outro [fonte: National Geographic].

Mulher e sua respectiva robô
Imagem cedida por Yoshikazu Tsuno/AFP/Getty Images
Conforme os robôs se tornam mais reais, os desafios de integrá-los à sociedade dos homens aumentam

Os sul-coreanos não são os únicos que pensam nos direitos dos robôs. Em 2006, problemas com robôs foram trazidos à tona em uma conferência sobre o futuro organizada pelo governo britânico. Entre os assuntos discutidos estavam a possível necessidade do governo subsidiar cuidados médicos e moradia para os robôs, e o papel dos robôs nas forças armadas [fonte: BBC].

Estas considerações não precisam ser abordadas imediatamente, mas quando os robôs se tornarem cada vez mais reais, estes problemas certamente virão à tona. Designers já estão trabalhando na pele robótica que pode produzir expressões faciais reais. Outros estão desenvolvendo robôs que podem conversar e imitar emoções humanas.

Pode ser muito difícil para muitas pessoas superarem a idéia de um casal humano-robô. Em 1970, o Dr. Masahiro Mori escreveu um artigo para a revista Energy no qual descreve o "vale misterioso", fenômeno em que as pessoas se sentem desconfortáveis com seres tecnológicos conforme eles se tornam mais parecidos com seres humanos. As pessoas constroem robôs que têm qualidades humanas para ajudá-las a cumprir tarefas humanas, mas quando estes robôs começam a parecer com seres humanos e agir como eles, as pessoas os rejeitam [fonte: Mori (em inglês)].

Com estas e outras características, os robôs do futuro trarão muitos desafios conforme se integrarem na sociedade. E em face de tais desafios, talvez a idéia do casamento (em inglês) entre homens e robôs não seja tão escandalosa no final das contas. Isto é, partindo do princípio que o robô também queira se casar, assim como os homens.

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