Controvérsia e protesto contra America's Army

Se olharmos superficialmente, "America's Army" se parece com qualquer outro bom jogo de tiro em primeira pessoa. Existem trocas de tiros, terroristas e sangue. Mas, ao contrário de outros jogos populares, "America's Army" foi criado e distribuído pelo governo norte-americano. Por conta disso, o jogo gerou uma certa controvérsia. Para os críticos do jogo, o uso de "America's Army" como ferramenta de recrutamento e propaganda é questionável. Para outros, é um péssimo uso dos impostos.

O fato de que o jogo glorifica a violência em nome dos Estados Unidos já é um forte motivo para protestos. Em agosto de 2007, um grupo de veteranos de guerra contrários ao conflito no Iraque se revoltou com um recrutador do exército que mostrava em St. Louis como se jogar "America's Army". Um dos veteranos gritou: "A guerra não é um jogo!" [fonte: St. Louis Post-Dispatch (em inglês)].

Outro opositor de "America's Army" prefere protestar solitariamente. O professor dr. Joseph DeLappe, da Universidade de Nevada, em Las Vegas, gasta cerca de três horas por semana em partidas online de "America's Army". Entretanto, em vez de participar das missões, DeLappe digita o nome de cada um dos 3.817 soldados americanos mortos no Iraque desde 2003 [fonte: iCasualties.org]. DeLappe chama sua campanha online de mortos-no-Iraque. Ao publicar os nomes dos soldados mortos no Iraque, DeLappe espera que os jogadores tomem consciência das reais conseqüências da guerra [fonte: DeLappe (em inglês)].

imagem do jogo America's Army
Foto cedida por Joseph DeLappe
Imagem do jogo“America’s Army" capturada pelo dr. Joseph DeLappe durante sua campanha de protesto “mortos-no-Iraque

Ao concordar com os termos de uso e licença do "America's Army: Special Forces", o jogador permite que os mapas que ele envia se tornem propriedade do exército norte-americano.

Esses mapas são usados em conjunto com um rastreador online do exército criado especialmente para o jogo "America's Army". Com isso, o exército sabe com que tipo de armamento cada um dos jogadores encara as diferentes situações de combate. Essa informação é armazenada em um banco de dados mantido pelo Exército. Um dos desenvolvedores do jogo falou ao jornalista Gary Webb que os melhores jogadores podem até mesmo receber um e-mail do Exército convidando-os a participar de uma guerra real [fonte: Webb (em inglês)].

Então, isso realmente significa que "America's Army" está secretamente treinando os soldados de amanhã? Parece que sim. Seria extremamente interessante para o Exército norte-americano que novos recrutas chegassem com um conhecimento básico. Gary Webb informou que o Exército espera duplicar o tamanho das Forças Especiais e mudou o nome do jogo com o objetivo de ajudar no recrutamento.

Pelo menos um departamento do Exército considera o jogo real o suficiente para outras aplicações da vida real. O Centro de Engenharia, Desenvolvimento e Pesquisa de Armamento começou a testar armas conceituais no jogo para compreender melhor as propriedades da arma antes de construir um protótipo.

Para obter mais informações sobre "America's Army" e o Exército real, leia a próxima página.